As empresas e a neutralização das emissões

A descabornização da economia é um dos passos fundamentais para que o mundo consiga cumprir as metas previstas no Acordo de Paris, compromisso entre 195 países para redução das emissões de gases de efeito estufa. A próxima década será o período de implementação das soluções voltadas para conter o aquecimento global em 2º C, com vistas a 1,5ºC, em relação ao período pré-industrial. Serão necessárias soluções disruptivas para conter as emissões brasileiras, principalmente oriundas do desmatamento, visto que o país tem o compromisso de, até 2025, reduzir em 37% as emissões de GEE no meio ambiente, em relação a 2005. 

O compromisso é ambicioso, uma vez que as emissões em 2018 somaram 1,939 bilhão de toneladas de CO2 (gás carbônico) equivalente. O desempenho representou um índice 0,3% maior em relação a 2017, segundo o Sistema de Emissões de Gases de Efeito Estufa(Seeg), do Observatório do Clima. 

O setor industrial, que responde por 5% do total das emissões, avança em compromissos para alcançar a neutralidade de carbono em suas operações, isso é, reduzir as emissões possíveis e neutralizar as que forem inevitáveis, por meio de medidas como plantio de árvores, por exemplo,

Essa transição para uma economia neutra em carbono pode abrir novas oportunidades econômicas e ajudar a criar empregos. Um relatório da New Climate Economy mostra que essa mudança pode criar uma oportunidade de ganho econômico direto de US$ 26 trilhões, e 65 milhões de novos empregos até 2030. Não obstante, mais de 900 empresas assumiram compromissos ambiciosos por meio de iniciativas, como a do We Mean Business e do Pacto Global. Desses, mais de 550 estão comprometidas com a redução de emissões, de acordo com os objetivos do Acordo de Paris e 175 se comprometeram a mudar para 100% de eletricidade renovável com o RE100. 

Confira abaixo o que empresas associadas ao CEBDS fazem para neutralizar suas emissões de GEE.

Ambev

A Cervejaria Ambev é a primeira empresa brasileira da indústria de bebidas a assinar o compromisso global Business Ambition for 1.5°C. Ao aderir à campanha, a empresa será avaliada pela Science Based Targets Initiative (SBTi), que vai medir os impactos de sua produção atualmente e delimitar uma meta personalizada para conter o aumento da temperatura da terra. O prazo para adequação ao novo modelo é de dois anos.

Aderir ao novo pacto reforça as iniciativas que a Ambev tem conduzido nos últimos anos para minimizar o impacto de seus negócios em sua cadeia de valor. 

Ecolab

Líder mundial em tecnologias e serviços relacionados a água, higiene e energia, a Ecolab também irá alinhar suas operações e cadeia de suprimentos ao movimento Business Ambition for 1.5⁰ C do Pacto Global da ONU, e irá adotar medidas para reduzir suas emissões de CO2 pela metade até 2030 e zerá-las até 2050. A empresa começará a transição de sua matriz energética para utilizar 100% de energia renovável em todas as suas operações; ampliará projetos de eficiência energética em suas unidades, escritórios e operações em todo o mundo; passará a utilizar energia elétrica em sua frota de veículos, nas localidades onde esta tecnologia já se encontra disponível; e atuará em conjunto com seus fornecedores e parceiros para adotar metas climáticas igualmente ambiciosas.

Ipiranga

A Ipiranga compensa as emissões diretas e indiretas (Escopo 1 e 2 – conforme metodologia do GHG Protocol) de suas operações desde 2013. Além disso, desde 2007, oferece opções para que o consumidor possa compensar as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa derivadas da queima de combustíveis de seus veículos por meio de diversas iniciativas: Km de Vantagens, Cartões Ipiranga, Posto na Web e outras. Para garantir esse compromisso, a Ipiranga adquire créditos de carbono com certificação internacional. Um crédito de carbono é igual a uma tonelada de CO₂ equivalente (CO₂e).

Microsoft

A empresa de software assumiu o ambicioso compromisso de, até 2030, ser negativa em carbono e, até 2050, remover do ambiente todo o carbono que a empresa emitiu diretamente ou por consumo elétrico desde que foi fundada, em 1975. A empresa também lançou uma iniciativa que usa a tecnologia Microsoft para ajudar fornecedores e clientes a reduzir suas próprias pegadas de carbono, além de um novo fundo de inovação climática de US$ 1 bilhão para acelerar o desenvolvimento global de tecnologias de redução, captura e remoção de carbono. A partir de 2021, a empresa também considerará redução de carbono um aspecto explícito de nossos processos de compras para nossa cadeia de suprimentos.

Natura

A Natura lançou em 2007 o Programa Carbono Neutro para contabilizar, reduzir e neutralizar emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE). De 2007 a 2013, a empresa reduziu em 33% as emissões de gases de efeito estufa, e quer baixar mais 33% até 2020. O programa se desdobra em ações internas e permeia toda a sua cadeia produtiva, desde a extração das matérias primas ao descarte final das embalagens após o uso. Em 2019, o grupo Natura&Co – que reúne as marcas Natura, The Body Shop e Aesop – firmou um pacto com outras 87 empresas globais para reduzir suas emissões de carbono e evitar que o aquecimento global ultrapasse os 1,5ºC a temperatura do planeta, se comparado à temperatura média da era pré-industrial. A meta final é chegar a uma economia carbono neutro até 2050. A ação faz parte da campanha “Business Ambition for 1.5°C: Our Only Future”. 

Schneider Electric

A Schneider Electric, líder na transformação digital em gestão de energia e automação, anunciou em 2019, em Nova York, a intensificação do seu com a neutralidade de carbono, com o objetivo de combater a principal causa do aquecimento global. A empresa está disposta a alcançar a neutralidade carbônica em todo o seu ecossistema nos próximos cinco anos. A Schneider também pretende também que as suas operações sejam de zero emissões em 2030, bem como chegar a um compromisso com os seus fornecedores de forma a conseguir uma cadeia de distribuição limpa em 2050. 

Vale

A Vale anunciou que pretende neutralizar suas emissões de gás carbônico até 2050. A empresa já tinha a meta de reduzir em 16% as emissões de CO2 até 2030, alinhada com o Acordo de Paris da Organização das Nações Unidas (ONU). Agora, para neutralizar até 2050, a companhia vai precisar reduzir as emissões em 33%. Essa meta de redução se refere aos chamados escopo um e dois, que envolvem as emissões internas da companhia em seus processos (produção, tráfego e trens, vagões e caminhões, por exemplo). Em 2020, a Vale também vai anunciar uma meta para o escopo 3, que envolve a cadeia associada à mineração: a metalurgia e navegação, por exemplo.

E pra finalizar, cinco coisas que as companhias precisam fazer para se preparar para um futuro net zero.

1)      Se comprometa a zerar suas emissões líquidas

2)      Avalie os riscos climáticos

3)      Estabeleça metas ambiciosas baseadas na ciência (SBTs, na sigla em inglês)

4)      Colabore, envolva e comunique

5)      Considere o que fazer com as emissões que você não pode reduzir. 

Fonte: Sustentável Blog