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Lições importantes sobre sustentabilidade reveladas pelos efeitos colaterais da pandemia


A saúde humana está diretamente relacionada às questões ambientais. Seja pela qualidade de vida ou aspectos físicos. Sabe-se que a poluição ambiental traz prejuízos diretos a saúde humana. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 91% da população mundial vive em locais onde a qualidade do ar está abaixo do recomendado.

No planeta, ocorrem, anualmente, 4,2 milhões de mortes atribuídas à poluição ambiental, segundo dados da OMS do ano de 2016. No Brasil, o número de óbitos por Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) chegou a 44.228 mortes no mesmo período, junto a isso, cresceu a exposição ao O3 (poluição) em todo o país, com destaque para os grandes centros urbanos e estados castigados pelas queimadas. (fonte: www.saude.gov.br). As principais causas de morte são doenças cerebrovasculares, doença pulmonar obstrutiva crônica, infecção respiratória, câncer de pulmão, traqueia e brônquios. Além disso, a poluição ambiental tem como consequência uma série de efeitos nocivos que não resultam diretamente em óbito, mas que acompanham a população ao longo da vida, como problemas respiratórios crônicos e o comprometimento a saúde mental.

Entre os poluentes atmosféricos mais comuns, destacam-se: Partículas inaláveis, dióxido de enxofre (SO2), dióxido de nitrogênio (NO2), monóxido de carbono (CO), ozônio, tolueno, benzeno e compostos de enxofre reduzidos. Esses poluentes frequentemente encontram-se fora dos padrões de qualidade do ar nas grandes metrópoles, podendo alcançar quase o dobro do recomendado.

Em termos ambientais, a emissão de tais gases primários, resultantes de qualquer processo de combustão, contribui com o efeito estufa, aumentando a temperatura da terra, consequentemente, surgem problemas como aumento do nível do mar, desertificação de áreas férteis e migração de espécies.

A emissão dos gases de efeito estufa são provocadas, em parte, pela atividade industrial, considerando a produção em larga escala de produtos e consequentemente liberando os poluentes resultantes da queima de combustíveis fosseis na atmosfera. Além disso, as atividades humanas em grandes centros urbanos provocam outro tipo de poluição atmosférica, a liberação do material particulado, que se encontra em boa parte acumulado no solo e com a circulação intensa e frequente de veículos e pedestres libera partículas no ar. Em resposta ao isolamento social exigido como medida de enfrentamento a pandemia do coronavírus, foi possível observar uma série de impactos de curto prazo quanto a emissão de poluentes atmosféricos no mundo todo.

Imagens da NASA publicadas no início do mês de março já demonstravam o efeito do isolamento social, em poucos dias após as fábricas da China cessarem as atividades produtivas, os índices de poluição atmosférica reduziram drasticamente. Durante o pico do surto da doença, foi registrada uma queda de 25% na emissão do dióxido de carbono.

Figura 1 – Imagem comparativa da poluição na China, segundo registros da NASA

Esse mesmo comportamento se repetiu no Brasil, de forma mais expressiva na região sudeste, nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, em especial nas capitais e regiões metropolitanas, no entanto, a mesma tendência pode ser observada nas demais regiões brasileiras.

Desde o dia 20 de março, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) passou a registrar, nas estações de monitoramento, uma melhora na qualidade do ar da região, com resultados considerados bons para os poluentes primários, aqueles emitidos diretamente pelas fontes poluidoras. Já na primeira semana de isolamento, a poluição atmosférica caiu pela metade em São Paulo.

Figura 2 – Demonstrativo da poluição no Rio de Janeiro antes e depois da quarentena

No Rio Grande do Sul, ainda não foi divulgada uma análise que comprove se houve redução nos índices de poluição a partir da quarentena. Ao analisar imagens de satélite sobre o território gaúcho, Diego Hemkemeier, gerente de geoprocessamento no Instituto do Meio Ambiente (IMA) de Santa Catarina, explica que não foi percebida grande variação nos níveis de dióxido de nitrogênio, mas acredita que o mesmo padrão também deverá ser observado em Porto Alegre para todos os poluentes primários.

A diminuição da circulação humana não resultou na redução somente da poluição atmosférica, mas também poluição sonora e de corpos hídricos. Moradores de Veneza divulgaram nas redes sociais fotos de como a água dos famosos canais da cidade está cristalina.

As medidas que estão sendo tomadas para combater o coronavírus são muito mais drásticas do que as medidas que estamos dispostos a tomar para solucionar as causas das mudanças climáticas e reduzir a poluição atmosférica. No entanto, ainda que a pandemia esteja a causar impactos negativos sociais e econômicos profundos à humanidade, ela nos permitiu gerar evidências científicas do potencial lesivo da atividade humana no meio ambiente, tornando ainda mais clara a necessidade de transformarmos nossas formas de produzir e consumir, objetivando evitar as cerca de 4,2 milhões de mortes anuais decorrentes da poluição.

O professor Arnaldo Freitas, do DCTA do Cefet-MG, afirma que não era necessária uma crise para reduzir a poluição em esfera global. “Alternativas já poderiam ter sido utilizadas. O uso de tecnologias sustentáveis empregadas no sistema modal, na matriz energética, na reciclagem de materiais, na gestão adequada de resíduos, no projeto de motores automotivos mais eficientes, na gestão pública voltada ao desenvolvimento sustentável, no planejamento ambiental de cidades, na elaboração de políticas públicas voltadas para a gestão socioeconômica e ambiental, pela adoção de instrumentos e incentivos econômicos de mecanismos ambientais, entre outros.”

Ao observar este cenário, podemos concluir que existem consequências reais do nosso atual modelo de vida, que são refletidas na saúde das pessoas e no meio ambiente. As mortes relacionadas à poluição, de acordo com estudos científicos, alcançam números expressivos, sem contar as doenças causadas e o custo gerado aos sistemas de saúde. Dessa forma, podemos extrair dessa experiência forçada o incentivo para a busca constante por soluções mais sustentáveis. O processo pelo qual a economia global vem passando, de consolidação de conceitos economia circular, economia de baixo carbono, desenvolvimento sustentável, gestão voltada para stakeholders e para a disseminação da sustentabilidade corporativa, são todas tendências que acreditamos serão fortalecidas após o enfrentamento desta crise.

A equipe da Ecovalor está à disposição para o esclarecimento de dúvidas, bem como auxiliar as empresas no desenvolvimento de soluções mais sustentáveis.

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Rafaela Nogueira Schwambach Bióloga CRBio 110800/03-D rafaela.schwambach@ecovalor.eco.br

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