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Construir empresas sustentáveis requer mudança de paradigma

Incorporar à estratégia de negócios aspectos econômicos e socioambientais é um caminho cujo pré-requisito fundamental é a disposição para mudar


Continuar a fazer o que fazemos da forma como sempre fizemos. Esta parece ser uma lei natural para quase toda a humanidade. Não é à toa que mudar hábitos é algo tão difícil e incômodo para a maioria de nós, especialmente aqueles que vivem no Ocidente. E as empresas parecem não fugir a essa regra.

É por isso que tem sido desafiador para os líderes empresariais percorrer o caminho rumo à construção de empresas sustentáveis – aquelas que, além de gerar lucro para os acionistas, conseguirão, ao mesmo tempo, não danificar o meio ambiente e contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, aliando os interesses dos negócios aos do meio ambiente e da sociedade. Nascidas dentro de um modelo capitalista clássico que visava apenas ao lucro, as corporações precisam alterar o paradigma de negócio para equilibrar os aspectos econômicos, sociais e ambientais. 

“Como qualquer processo de transformação, a mudança de paradigma requer ousadia e perseverança, atributos essenciais à liderança. Adicionalmente, a empresa deve desenvolver ferramentas de gestão que facilitem a implementação das mudanças necessárias. Não se trata de abandonar as ferramentas já existentes e implantadas, mas sim de adaptá-las para a inclusão de critérios socioambientais”, explica a diretora executiva da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), Clarissa Lins.

Segundo ela, elementos fundamentais para que esse caminho rumo à sustentabilidade seja trilhado com sucesso são políticas, processos e ferramentas de aferição de desempenho e remuneração variável que incorporem critérios de sustentabilidade. “Outro componente fundamental é conseguir engajar a cadeia de valor, de forma a que fornecedores e clientes estejam tão comprometidos quanto a própria empresa em adotar práticas de sustentabilidade”, ressalta.

Relate ou explique

Para Clarissa, as empresas que não trabalharem no contexto da sustentabilidade, em pouco tempo serão questionadas por clientes, acionistas, financiadores e demais stakeholders. Aliás, uma das primeiras iniciativas no sentido de estimular as empresas listadas na BM&FBovespa a reportar aos stakeholders informações relacionadas à sustentabilidade é o levantamento Relate ou Explique, cujos resultados foram apresentados na Rio+20. De um total de 448 empresas de capital aberto analisadas, 96 publicam relatórios de sustentabilidade ou similares (21,43%); 107 não publicam, mas explicaram porque não o fazem (23,88%) e 245 não se manifestaram (54,69%).

Na opinião do especialista em governança corporativa e sustentabilidade, Carlos Eduardo Lessa Brandão, que é conselheiro do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), a decisão de elaborar um relatório de sustentabilidade pode ser um primeiro passo na direção da mudança de paradigma. “Como estamos falando de um processo, ele pode começar de várias formas. Se a empresa decide elaborar um relatório segundo os indicadores Global Reporting Initiative (GRI), ela terá que, inicialmente, refletir sobre o que vai relatar. Essa reflexão envolve mapear o que os stakeholders pensam. Trata-se de um excelente exercício que leva a empresa a se organizar melhor. Isso se torna uma estratégia periódica e poderá servir como ferramenta de comunicação”, relata.

Esbarrando nos prazos

Como as empresas podem realizar um trabalho de sustentabilidade pautado no longo prazo e em um novo modelo se o mundo ainda está muito mais voltado para o curto prazo? Esta é uma das questões que Stuart Hart, professor de Empresas Globais Sustentáveis e de Administração na Johnson School of Management, da Cornell University, responderá na ExpoManagement 2012.

De acordo com Clarissa, esse é, de fato, um desafio que requer adaptação cultural. “Já há empresas começando a educar seus acionistas e investidores no sentido de acabar com a obrigatoriedade de apresentar os resultados trimestralmente. Isso representa uma mudança de paradigma. Por outro lado, há como desdobrar planos de longo prazo em etapas de curto prazo, o que seria uma forma de conciliar esses dois horizontes temporais. Assim sendo, as exigências de curto prazo não devem ser vistas como barreiras ao pensamento de longo prazo”, conclui.

Fonte: Portal HSM (http://goo.gl/KW8)

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