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Artigo: Comece pelo G

Elias da Silveira Neto

CEO elias@ecovalor.eco.br


Dificilmente alguém que atua na gestão de empresas ainda não tenha ouvido ou lido a respeito sigla “ESG” (se este for o seu caso, recomendo que corra atrás). Milhares de estudos e regulamentações compulsórias e facultativas colocam embaixo do “guarda-chuva” formado por estas três letras uma grande diversidade de temas.

Há tanta informação disponível sobre ESG que um gestor empresarial iniciante no assunto pode ter dificuldade em compreender como trabalhar este tema pode, de fato, contribuir para melhorar os processos de sua empresa e o seu resultado. O objetivo deste artigo é auxiliar você a avaliar se vale a pena para sua empresa iniciar a jornada ESG e indicar os primeiros passos.

De início, precisamos desmistificar o assunto. A sigla ESG foi utilizada pela primeira vez num relatório do das Nações Unidas, endossado por 20 instituições financeiras globais, intitulado “Vence Quem Se Importa” (Who Cares Wins), que reúne recomendações para integrar questões ambientais, sociais e de governança na análise, gestão de ativos e corretagem de valores mobiliários.

Portanto, de maneira geral, “ESG” é uma sigla conectada com o mercado financeiro, e com o reconhecimento por este setor de que o sucesso de seus investimentos não depende apenas de análises econômicas de balanços e outros indicadores financeiros, mas também da análise dos riscos e oportunidades ambientais, sociais e de governança dos ativos (“as empresas”).

Passados quase 20 anos da publicação relatório das Nações Unidas, suas recomendações fazem mais sentido hoje do que nunca. Seja para demonstrar seu valor e atratividade para potenciais investidores, ou para colher os frutos do sucesso empresarial resiliente às crises e sustentado no longo prazo, trabalhar o “ESG” nas empresas é estratégia essencial.

Mas por onde começar uma “Jornada ESG”, diante de tantos temas a ser trabalhados? As sugestões que vou dar a seguir são baseadas nas experiências, erros e acertos de mais de 10 anos auxiliando empresas de diferentes segmentos e portes neste caminho.

A “dica de ouro” é: comece pelo G – não todos os subtópicos que são tratados neste pilar, que incluem questões como práticas antissuborno e corrupção, pagamento de executivos e estrutura de conselho de administração, mas sim aqueles que formam a base para a atividade que será desenvolvida, a governança da sustentabilidade. Começando pelo “G”, as recomendações são:

a) Trabalhar os temas ESG e Sustentabilidade resulta em mudanças – se a empresa quer, de verdade, ser sustentável e ter boa performance em métricas ESG, ela precisa estar disposta a rever diversos processos, abandonar velhas práticas e transformar a sua cultura. Acontece que essas mudanças não ocorrerão sem o comprometimento das principais lideranças (administradores, sócios, diretores etc.). É papel da Alta Gestão tanto disseminar as novas políticas e diretrizes ESG em todos os níveis da organização, quanto dar a sustentação para que elas prevaleçam nos diversos conflitos naturais que surgem destes processos de transformação. Tudo isso pode ser resumido como “Comprometimento da Alta Gestão e Cultura ESG Top Down”, elemento básico de um Programa ESG;


b) ESG e Sustentabilidade não devem ser temas restritos a um departamento ou gestor. A abordagem deve ser “transversal”, isto é, envolver os diversos setores da empresa. Por isso, recomenda-se que a governança da sustentabilidade seja realizada por um “comitê” multisetorial, com representantes de áreas da empresa como, por exemplo, design, P&D, produção, controladoria, supply chain, meio ambiente, recursos humanos, saúde e segurança do trabalho, marketing, dentre outros. O tamanho, composição e rotina recomendados deste comitê varia conforme o porte e setor da empresa, mas, em resumo, é um “grupo de lideranças” que serão responsáveis por planejar, executar, monitorar e agir para garantir o sucesso do Programa ESG;


c) As lideranças do comitê devem ser capacitadas de forma sólida sobre ESG e Sustentabilidade Corporativa. Recomenda-se que a empresa recorra a especialistas, para que os líderes absorvam o conhecimento necessário para as atividades, bem como forneça os recursos necessários para todos dominem os conceitos necessários e estejam alinhados. Os líderes integrantes do comitê terão também a função de disseminar e serem os guardiões na cultura ESG junto aos seus pares e liderados, com o suporte da Alta Gestão; e


d) “Primeiro quem, depois o que”. Definido primeiro “quem” (o comitê), a empresa precisa avançar para definir “o que” (planejamento). O primeiro passo para isso é conhecer como a organização impacta o mundo e como ela é por ele impactado, a partir do mapeamento das partes interessadas (stakeholders – clientes, colaboradores, fornecedores, governo, concorrentes, acionistas etc.), e do diálogo e entendimento do que cada um destes grupos entende como temas ESG prioritários, resultando numa matriz de materialidade. Este estudo dará subsídio para um planejamento que foque no que realmente importa.


A jornada ESG é longa. Começar pelo “G” garantirá as bases para o sucesso. Mudar costuma gerar algum desconforto e conflitos de interesse entre as partes envolvidas, sendo fundamental o comprometimento e sustentação pelas lideranças. Mas mudar, adaptar-se à nova economia, também é regra básica de sobrevivência e de seleção natural.


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