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Aporte em biometano chega a R$ 160 milhões

Pouco a pouco, a produção de biometano (biogás purificado), proveniente de resíduos orgânicos, começa a atingir escala comercial no Rio Grande do Sul. Além da expansão do complexo que o Consórcio Verde-Brasil (formado pelas empresas Ecocitrus e Naturovos) possui em Montenegro, a companhia Ecometano desenvolve outras duas unidades para fabricar o biocombustível nos municípios de Carlos Barbosa e Fazenda Vilanova. As iniciativas somadas absorverão um investimento de aproximadamente R$ 160 milhões.

De acordo com a gerente de planejamento de mercado da Sulgás, Jucemara Bock, as plantas significarão uma oferta de 90 mil metros cúbicos diários de biometano. O volume seria suficiente para abastecer toda Porto Alegre com gás natural veicular (GNV), utilizado como combustível para automóveis. O biogás também poderia ser aproveitado para outros usos como a geração de energia elétrica e térmica.


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Já a estrutura do Consórcio Verde-Brasil está operando com uma pequena produção em uma fase-piloto, de consolidação da tecnologia. O diretor da Ecocitrus Albari Gelson Pedroso explica que, atualmente, a unidade está fornecendo gás natural veicular para carros dos agentes envolvidos com o projeto. Também há um excedente destinado à geração de energia elétrica para consumo próprio. O biogás nessa planta é formado a partir de dejetos de aves poedeiras e de resíduos agroindustriais.

Para alcançar a escala industrial, com 5 mil metros cúbicos /dia de biometano purificado, o consórcio aguarda a segurança jurídica que o setor terá com a regulamentação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a área. A resolução nesse sentido deverá ser publicada antes do final de março. Após essa confirmação, Pedroso adianta que em menos de um ano será possível atingir o patamar de 5 mil metros cúbicos e, posteriormente, o objetivo é alcançar 20 mil metros cúbicos. Até agora, foram investidos cerca de R$ 3,5 milhões no projeto e serão necessários mais R$ 17 milhões para chegar a esse pico.

O gás também será vendido para a Sulgás. A distribuidora, por sua vez, comercializará o produto sob a marca GNVerde para um posto que a ser instalado próximo à planta de biometano de Montenegro. Também fornecerá o biogás para um consumidor industrial situado na região, possivelmente, misturado com gás natural. Por enquanto, o diretor-presidente da estatal, Roberto Tejadas, prefere não revelar qual será o cliente.

O dirigente e diversos agentes envolvidos com o tema biogás estiveram, nessa quinta-feira, no polo petroquímico de Triunfo para a apresentação do ônibus abastecido com biometano que faz testes no Estado. A iniciativa foi resultado de uma parceria entre Consórcio Verde-Brasil, Sulgás, Scania e Braskem e contou com o apoio de Univates e Janus & Pergher.

Sulgás abrirá concorrência para comprar 200 mil m³

Comprovando seu otimismo quanto ao mercado de biometano, a Sulgás lançará em fevereiro uma chamada pública para adquirir 200 mil metros cúbicos diários do biogás. O número corresponde a quase 10% do volume de gás natural que a estatal gaúcha tem hoje assegurado com a Petrobras. A contratação do biometano deverá ocorrer em um prazo máximo de 24 meses.

O diretor-presidente da companhia, Roberto Tejadas, enfatiza que o mercado do biogás tem perspectivas gigantescas. O executivo acrescenta que a empresa está aguardando a regulamentação da ANP quanto ao biometano para desenvolver o plano de comercialização do GNVerde com seus clientes. Tejadas projeta que a venda iniciará ainda neste semestre e ressalta que, do ponto de vista técnico, os obstáculos foram superados. O dirigente comenta que não foi discutido o preço que será estipulado para o novo produto. “A opinião que temos é que o mercado poderia pagar um plus, mas hoje o biogás está, comercialmente, dentro dos padrões do gás natural”, diz o presidente, que passará o comando da Sulgás, na próxima quinta-feira, para Claudemir Bragagnolo, ex-secretário-adjunto da Secretaria de Infraestrutura e Logística.

A gerente de planejamento de mercado da Sulgás, Jucemara Bock, ressalta que a demanda por gás natural no Rio Grande do Sul está em constante crescimento, porém a capacidade de suprimento do gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), que abastece o Estado, está praticamente esgotada. Por isso, a dirigente defende a produção distribuída de biogás, em pequena e média escala, como uma alternativa para diversificar a fonte de geração. Jucemara reitera que o biometano pode ser misturado com o gás natural para atender aos clientes industriais que têm demandas maiores.

A Sulgás prevê investimentos na ordem de R$ 250 milhões entre os anos de 2015 e 2019. Em dezembro de 2014, a distribuidora registrava 805 quilômetros de rede de gasodutos e para este ano deverão ser acrescidos 128 quilômetros. Em 2018, a estatal deverá contar com uma malha de aproximadamente 1,4 mil quilômetros.

Ônibus registra bom desempenho durante testes

O ônibus movido a biometano, que foi avaliado no ano passado no Paraná, nesse mês de janeiro realizou uma série de testes no Rio Grande do Sul. O veículo, produzido na Europa pela Scania, circulou diariamente entre as unidades da Braskem, no Polo Petroquímico de Triunfo. Segundo o diretor de Vendas de Ônibus e Motores da Scania, Silvio Munhoz, foram demonstradas a competitividade de custos e a boa performance do combustível, assim como o menor impacto ambiental quando comparado ao óleo diesel.

O executivo destaca que o objetivo da iniciativa foi promover a solução do biometano. O dirigente acrescenta que a tecnologia para aproveitar o biocombustível já existe. A questão agora é desenvolver escala, especialmente, de produção do biogás. Munhoz frisa que é possível perceber diversas ações tomando forma no País, com a perspectiva de usar inúmeras espécies de rejeitos orgânicos.

O veículo testado no Estado registrou um desempenho de 2,13 quilômetros percorridos por metro cúbico de biometano. O ônibus teria condições de rodar com o biocombustível ou com o gás natural de origem fóssil. De acordo com Munhoz, o ônibus movido a gás natural tem uma emissão de CO2 em torno de 30% inferior ao do veículo a diesel e esse percentual é de até 80%, se comparado com o biometano.

“O gás natural será uma ponte para depois chegarmos ao ideal que é o biogás”, projeta Munhoz. No entanto, o veículo a gás ainda tem um custo 20% a 25% superior ao convencional. O encarecimento deve-se, fundamentalmente, à adaptação dos tanques de armazenagem. Após finalizar a experiência no Rio Grande do Sul, a ação envolvendo o ônibus com biometano será replicada na cidade de São Paulo através de uma parceria com uma companhia de transporte de passageiros.

Fonte: Jornal do Comércio (http://goo.gl/H4lE8l)

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