No mês do Meio Ambiente, iniciativas buscam minimizar impacto do lixo no RS

Virando a lixeira da própria casa de cabeça para baixo, é possível analisar o que poderia deixar de ser consumido para, por consequência, produzir menos lixo. Esse é o método mais usado para conscientizar as pessoas a reduzirem o impacto da vida cotidiana no meio ambiente, segundo explica Fabíola Pecce, fundadora de um projeto ambiental de Porto Alegre.

“Quando falamos em não gerar lixo, cada um vai ter uma realidade diferente. Metade do meu lixo era garrafinha de água, então comprei um filtro e parei de usar garrafinha descartável”, conta Fabíola, fundadora da Pasárgada – Oficina de Sustentabilidade e coordenadora do Porto Alegre Lixo Zero.

Mais do que se preocupar com a reutilização ou reciclagem de resíduos, ela defende a não produção de lixo. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), os gaúchos geram mais de 8,7 mil toneladas de resíduos sólidos por dia e o índice vem crescendo.

Segundo Fabíola, questões simples como a substituição das sacolinhas plásticas por uma única sacola de pano e a implementação das técnicas de compostagem, que visam reaproveitar o lixo orgânico, são pequenas atitudes que podem mudar o panorama de produção massiva de lixo descartado no meio ambiente.

“O lixo é como uma torneira que pinga, você vai vendo uma gotinha e não dá bola, mas quando a tigela enche, você vê o quanto desperdiçou. Nós orientamos a guardar o lixo por um mês, porque aí você terá noção de quanto está gerando de lixo”, diz.

Reciclagem e reaproveitamento

Robô foi feito com equipamentos coletados pelo Projeto Recondicionar (Foto: Leonardo Mayer/Rede Marista/Divulgação)

Se não for possível deixar de produzir o lixo, a preocupação deve se voltar para a reciclagem e o reaproveitamento. Nesse campo de atuação, um bom exemplo é o Projeto Recondicionar, idealizado pelo Polo Marista de Formação tecnológica, que há três anos espalha os chamados “ecopontos” por diversos locais de Porto Alegre e pelo interior do estado. A ideia do projeto é reutilizar ou dar o encaminhamento correto para materiais eletrônicos.

“Estamos imersos em uma cultura do descarte, ainda mais na área dos eletrônicos, porque não vale a pena do ponto de vista financeiro consertar. É muito telefone e computador sendo trocado e isso está gerando uma situação insustentável do ponto de vista ambiental”, afirma a coordenadora do Polo Marista de Formação Tecnológica, Márcia Broc.

O projeto usa esses materiais que são descartados pela comunidade como objeto de estudo para as capacitações que são oferecidas pela entidade, além de muitas vezes servirem para dar sobrevida às máquinas que já eram consideradas descartáveis.

“Muitas vezes recuperamos e eles continuam sendo usados por anos. Conseguimos dar uma sobrevida para o que era considerado lixo. Sem contar que favorece instituições que não têm acesso à informática, porque esses equipamentos são doados”, relata Márcia.

Outra ideia que surgiu em 2013 ganhou espaço e fomentou a cultura do reaproveitamento. Com o nome bastante sugestivo, a empresa Eu Amo Papelão produz brinquedos, móveis, entre outros projetos usando como matéria-prima o papelão.

Inclusive, dentre os valores da empresa está a questão da sustentabilidade. Conforme explica Simone Menda, uma das sócias da Eu Amo Papelão, é importante que as pessoas saibam que depois de um determinado produto não servir mais para uma finalidade, ele pode ter outra função.

“Nosso produto, assim como muitos outros, é reciclável. O brinquedo pode virar uma caixa ou outra coisa derivada do papelão. É um produto que não precisa ficar falando o tempo todo na questão da sustentabilidade, porque ele fala por si só”, salienta.

Materiais produzidos pela Eu Amo Papelão (Foto: Eu Amo Papelão/Divulgação)

Fonte: G1 (goo.gl/uS7Xar)